Continuação da “festinha” da democracia.
Passado o dia do primeiro turno, e não foi nada daquilo que escrevi. Foi pior. O que tinha de velho votando, estou me incluindo, era uma bênção. Claro que só podia ser coisa do céu. Eu mesmo acordei e consegui dar o laço do tênis — eu falei tênis — sem a lombar protestar.
Era uma fila enorme, com um cheiro de talco que deixava o ambiente com cara de uma quermesse dos idosos, e cada um deles com uma cola com letras tão avantajadas que, no final do corredor, já podia ser lida, exceto a do Gilmar, que levou a cola no celular, e o Zema, que já estava fodido mesmo.
Eu não entrei na fila preferencial, mas, se eu soubesse que era três para um, eu tinha entrado. Fiquei até satisfeito por saber que três velhos valem um novo.
Enfim, quando fui chamado para entrar na zona, digo, sala, aí é que a coisa demorou. Se com o povo de pé eles não têm pena, imagina sentadinhos. Pronto. Era uma verdadeira dança das cadeiras. Quando eu me acomodava, tinha que ficar de pé e ir para outra cadeira. Sem problemas, se a labirintite não me deixasse tonto a cada levantada. No final, eu nem me sentava mais. Acho que os mesários pensavam que eu tinha hemorroidas.
Mas chegou a minha vez de colocar meus votos na maquininha que faz esquecer das promessas. Agora, o que me chamou atenção foi como a família do presidente cresceu. Apareceram tantos “de Lula” que estou até com pena dos cofres públicos.
Outra coisa que me surpreendeu foi que minha digital voltou. Fiquei até animado, pensando que o juízo viria com ela, mas... nada.
Agora é aguardar o segundo turno. Com dois candidatos, deve ser mais fácil, mas, por precaução, vou levar uma cola. Adoro cola. Sou uma pessoa prevenida. Vá lá que mostrar a cola seja o pré-requisito para participar da seleta fila dos idosos. Que, por sinal, não soltaram nem uma piadinha com o assalto dos velhinhos aposentados. Somos velhos, não idiotas.
E se tem alguém infiltrado para enrabar um velhinho... Nossa, vamos desconsiderar essa última colocação. Bom, agora minha irmã vai protestar na fila.
Vou preparar minha indumentária para a segunda rodada da “festinha”. Já liguei para o Menino Ney e pedi o uniforme dele da Seleção. Ele me perguntou se era com autógrafo. Respondi:
— Sou doido, não. É para votar.
Quero ir todo uniformizado. Acho que até de chuteira eu vou. Sei lá se vou precisar chutar os ovos de alguém.

Comentários