No final da balada tem conveniência... tem sim, senhor.

 

Imagina se, nos anos oitenta, você, meu amigo, chegasse para uma filha e falasse:

— Sandrinha, minha filha, quando você sair da discoteca, vá terminar a noite na conveniência de um posto de gasolina.

Hoje você não estaria lendo isso. Teria o olho vazado pelo soco que a doce Sandrinha teria aplicado.

Mas o tempo é senhor de tudo, menos dos anéis, e nos proporciona um espetáculo de mau gosto imensurável.

A noitada termina em um posto de gasolina e a galera “curtindo” o que tem de pior na música e na dança.

A filha da Sandra está lá também. Com uma dança de fazer a Anitta sentir inveja e o capeta aplaudir.

Os rapazes, todos com energéticos, Ice, cervejas quentes e outras coisitas mais, ensaiam passos “apombalhados”, enquanto algo desprezível, que eles chamam de som, sai pela mala aberta do carro e tortura quem não faz parte da “salutar” brincadeira.

A filha da Dona Sandra, agora de lábios doloridos de beijar a boca de qualquer um, investe seu suado e gaguejante charme na tentativa de ganhar a aposta de beijar o frentista.

Os meninos, todos sem camisa para expor os efeitos da academia, exceto o gordo Enzo, que continua a esticar a camiseta na tentativa de folgá-la, já urinaram, vomitaram e, claro, já se abraçaram e usaram a mesma frase que todos os bêbados dizem:

— Você é mesmo que um irmão pra mim.

E a filha da Senhora Sandra, dormindo no banco de trás de um carro, nem percebe que suas tetinhas estarão disponíveis nas redes sociais logo que o frentista Cabeção postar.

Enquanto isso, no conforto do seu lar, sua genitora dorme tranquila, pois confia muito na Sandrinha, moça centrada e educada, incapaz de soltar um pum na sala e que não toca em álcool; só bebe água de coco e suco verde.





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