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A “festa” da democracia.

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    Como tem gente nessa sexta-feira pré-eleição aqui no Natal Shopping. Parece que todos os colégios mandaram suas turmas fazerem barulho nos corredores para entregá-los aos seus pais devidamente exaustos. Nossa, como conseguem tanta energia! E saber que um dia eu também era assim. Sei que faz tempo, mas só em lembrar já é uma vitória. Porque tem muita gente que promete e não cumpre, mas, coitado, deve ser a idade e uma vida nada regrada. Eu só tenho problema de esquecimento na hora de pagar minhas contas. Chega a ser crônico. Porém, no mais, eu lembro até os detalhes. Já fui até a um médico, contudo não dei prosseguimento ao tratamento. O interessante é que um político amigo meu também sofre desse mesmo mal. Sendo que o caso dele é bem mais grave do que o meu, pois ele esqueceu até que éramos amigos. Só por eu ter prometido votar nele e, na hora, me deu um branco horrível. Mas esse ano eu vou levar uma cola. Por que não? Eu levava para o Marista, com uma vigilância...

Um vestibular extremamente difícil. Será que você enfrentaria?

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  Quando o sujeito não tem nada para fazer, fica como eu, inventando moda. No início do ano passado, decidi testar esses vestibulares online de faculdades particulares. Então me inscrevi para fazer a prova para o curso de Gastronomia. Em casa mesmo fiz a prova de múltipla escolha e tinha a redação. Momento de apreensão. Qual será o tema? Aí aparece o dificílimo: “Por que você escolheu esse curso?” Eu já tinha trabalhado por seis anos nessa empresa, então caprichei na escrita. “... escolhi esse curso para dar um pouco de despesa à instituição. Vou gastar gás com força.” Pronto. Enviei, certo de que estava concluída minha missão e de que tinha deixado alguém puto. Não deu quinze minutos e chegou um e-mail: — Parabéns, Luciano. Você foi aprovado no curso de Gastronomia. Seguem dados para sua matrícula. Bem, querido amigo, essa brincadeira tem rendido, pois ainda continuo recebendo e-mails superdivertidos como: — Oi, Luciano. Está esperando o quê para finalizar sua matrícul...

Uma moda das Arábias

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 Alguém aí já viu ou ouviu falar em uma calça feminina chamada “Aladdin”? Não, né? Mas já mentalizou e viu a cena. Pois eu vi, com estes lindos olhos, um modelito desses na vitrine de uma loja. Só queria saber quem vai ter coragem de sair mundo afora fantasiada à procura de uma lâmpada para realizar seus desejos. O primeiro, com certeza, deve ser pedir ao gênio que tire aquela porcaria de roupa e lhe dê um traje de gente. Eu teria vergonha de sair com minha mulher usando uma calça Aladdin. Teríamos de estar preparados para as mais diversas piadas: — Olha, filha, um Aladdin trans! Aquele gênio não volta pra lâmpada nem a pau. Viu a cinturinha dele? — Olha lá: uma Aladdin e o gênio do poço! Deu para notar que sobrou até para mim. Mas o importante é que ela estaria na moda, embora criada por alguma criança de décadas atrás, achando que feio mesmo são as calças rasgadas da moçada. E eu dando graças a Deus por não terem incrementado o “discreto” traje com um vistoso turbante. Quanto à p...

E essa crônica vai ser de pornografia?

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      E essa crônica vai ser de pornografia? — Pergunta a Neide, sofisticando seu linguajar ao máximo. Vai, sim, Neidinha. De putaria, baixaria, pornografia. Dependendo da mente de quem ler, ela vai se adaptando igual a lagarto. Neide era dessas moças que, desde cedo, pensou em ganhar a vida sem fazer força. Tentou a política, nada. Vendedora de Jequiti, plano funerário e “empacotadeira nas Casas Bahia” e, como ela mesma dizia, o salário mal dava para comprar suas calcinhas. E não era para menos: para enfeitar com rendinhas aquela bichona que ela se gabava que, se fosse vender no quilo, dava para comprar uma cobertura com vista para o mar. Então, por mais safadeza do que necessidade, Neidinha começou a alugar o seu priquitão por temporada. E olha, era o único empreendimento que, nas festas de final de ano, ficava disponível e justamente nesse período que ela aproveitava para fazer uma revisão completa e, algumas vezes, dar um up. Colocou piercing, aparou a trunf...

Nojo. Somente Nojo.

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        Eu definitivamente sou um "pouca sombra". Não pelas dimensões físicas, mas pelo que represento. Vejo tudo passando na minha frente e não tenho coragem de levantar um cartaz gigante externando meu desapontamento. E de que adiantaria isso? De nada. Ninguém vai ler um cartaz no sol. Então fico no meu mundo, me corroendo pela revolta e pelo desprezo por essa qualidade de homens públicos que zombam de gente como eu, sem ter o que fazer a não ser votar e torcer para que não inventem desculpas para tirar a única coisa que nos dá dignidade. Estou cansado de vocês. Não suporto ver, tampouco ouvi-los. Tudo tem forma de arrumadinho, nada cheira à verdade e seus cínicos sorrisos são um jato de catarro verde que explode na minha cara. Mas o que eu posso fazer, me diga, meu amigo, se quem é para cuidar do país cuida do bolso?