Uma família qualificada.
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Eu, infelizmente, não tive a honra de fazer tal curso. Deve ser por isso que não prosperei, pois não sabia onde ficava o “A” no teclado da nossa Olivetti. Já minha irmã sabia até onde dava espaço. É ou não é uma sumidade?
E o interessante era que, na parte prática da entrevista de emprego, você tinha que digitar um determinado número de palavras em tantos minutos. Era você com os dedos no teclado e uma pessoa com um cronômetro do seu lado. Pura pressão.
Depois lançaram uma máquina de datilografia elétrica. Aí quebraram as pernas da minha irmã, pois ela não estava preparada para operar essa nova invenção. Se ela, que era a tampa da caçarola, não estava, imagina eu, que nem o curso tinha.
O fim das máquinas de datilografia levou muita gente à bancarrota. Ainda bem que eu não investi em um curso desses. Investi em um curso para me qualificar em Telex. Agora eu era o “tampa” da família e minha irmã enveredou em um curso de bordado. Ela é formada em bordado, sabe fazer cada bico que é uma belezura. Também é formada em pintura em tela e tem uma especialização em sabonetes. Faz uns sabonetes com o rostinho da Barbie que é uma perfeição. Pensando bem, quem sabe se no lavador do Trump não tem um desses feito pela mana.
Já a minha pessoa se formou em encangar grilo e em escrever merda.
Quem mandou não se formar em datilógrafo.
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