Mais Belo do que o Belo

 

 


Passadas 24 horas do embarque das donas da casa... estou bem. Obrigado.

E continuo cumprindo a minha agenda de sobrevivência. Hoje resolvi cortar o cabelo e, o mais importante, vou mudar o corte, seguindo o conselho que minha mulher tem me dado há anos.

— Amor, corte degradê.

Falava carinhosamente, quase me ofuscando com seus olhos esmeralda.

E lá vinha eu... máquina dois em todo o perímetro.

Na barbearia, ao ser perguntado qual seria o corte, enchi o peito e soltei:

— Fumê.

O rapaz olhou para mim e, constrangido, exclamou, quase em prantos:

— Desculpe, mas eu não conheço o corte fumê.

Eu disfarcei e expliquei como seria esse novíssimo corte. Fiz uso até das mãos para deixar clara a contratação do serviço.

O barbeiro pensou... sim, é um degradêzinho. Pelo jeito que falou, me pareceu que esse corte já tinha caído da primeira prateleira desde a queda do muro de Berlim.

Resolvido esse dilema, passamos a outro, maior ainda.

— Quer fazer a barba? — pergunta o profissional da tesoura.

— Querer até eu quero, se for rápido. Eu não aguento aquele estica e puxa, bota toalha, tira toalha, taca um bafo quente soprando na minha cara. Mas, se for rápido e direto, como se estivesse arrancando grama com uma foice, eu quero.

Terminado o fumê, digo, degradê, passamos para a barba.

Foi do jeitinho que eu queria. Pegou uma máquina e tirou o que tinha de barba. Para dar o acabamento, pegou um esmeril e passou na minha cara, livrando o nariz e o “taío” da boca.

Pronto. Em quinze minutos, eu estava de barba feita e devidamente degradêzado.

Mas, sendo Luciano, não iria terminar assim.

O DJ — foi assim que ele se apresentou — deve ser Djair, perguntou:

— Quer que eu ajeite as sobrancelhas?

Eu pensei: se em um rosto e um cabelo foi rápido, nelas deve ser um segundo.

Coitado, menino inocente.

Meu amigo e minha amiga, pense numa coisa sem fim.

Ele usou tesoura, a mesma máquina que deu fim à minha barba, passou um creme em cima das pestanas e, a cada utilização da tesoura, lá vinha um pincel e outra coisa que parecia um pompom.

Quando, por fim, terminou, agradeci aos céus por ele não ter usado o esmeril e por eu não precisar de um cão-guia.

Bom, meu amigo, mandei uma selfie pra ela ver como eu fiquei lindo. Aliás, sempre fui. E agora, de degradê, estou de arrasar quarteirão.

 

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