Habemus Controle!


 


Hoje começou minha cruzada de 12 dias com uma assustadora liberdade.

Minha mulher e nossa filha viajaram hoje para São Paulo/China e deixaram, em cada canto da casa, uma lembrança.

Depois de uma noite dormida apenas no tempo que a Latam leva para ligar a Cidade do Sol à Terra da Garoa, acordei, fritei um ovo sem sal, assei pão e, com tudo pronto, busquei o símbolo do meu poder patriarcal. E nada… O controle da TV não ligava a dita cuja.

Já me via passando esses dias caçando o que fazer para passar o tempo nesse deserto habitacional.

Sentado, olhando para aquela tela negra, ela, indiferente, parecia que eu estava em uma consulta com um psicólogo, mas sem ter vendido as córneas.

Veio a ideia de comprar um controle universal. Primeiro pensei que era coisa do Edir Macedo. Mesmo assim, fui ao Natal Shopping comprar.

Foi quando um amigo me ligou. Falei do ocorrido e, por coincidência, o mesmo havia acontecido com ele.

A solução foi simples: tira da tomada, espera um instante e coloca de volta… pronto.

Fiquei pensando: quem deveria ter ido à China era a mulher dele.

Definitivamente, eu ainda não estou preparado para ficar só em canto nenhum. Imagina em uma casa com tomadas, louças e outras coisas mais.

Não faz nem um dia que elas viajaram e eu já toquei o terror na TV, na prateleira da loja onde ficam as pilhas, procurando uma AAA2, que só pode ter sido inventada por um gago, e mandando mensagem para ela a cada cinco minutos.

O importante, que seria até necessário estourar um champanhe, é que funcionou. Eu fiquei eufórico e imediatamente lá vou eu mandando um WhatsApp dando a boa-nova.

Minha mulher deve ter pensado:

— Senhor, protege essa criatura... ele não sabe o que faz.

E olha que isso foi só no primeiro dia.

Na volta do shopping, já de posse do controle, chamei um Uber e, para o meu espanto — nem tanto —, o motorista falou:

— Seu Luciano, o senhor colocou o destino igual à origem. O senhor está indo do Natal Shopping para o Natal Shopping.

Além da vergonha, me deu vontade de dizer:

— É... eu só queria dar um rolê no quarteirão.

Bom, é só o início. Amanhã tem mais. Se eu encontrar o notebook.

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