E essa crônica vai ser de pornografia?
E essa crônica vai ser de pornografia?
— Pergunta a Neide, sofisticando seu linguajar ao máximo.
Vai, sim, Neidinha. De putaria, baixaria, pornografia. Dependendo da mente de quem ler, ela vai se adaptando igual a lagarto.
Neide era dessas moças que, desde cedo, pensou em ganhar a vida sem fazer força. Tentou a política, nada. Vendedora de Jequiti, plano funerário e “empacotadeira nas Casas Bahia” e, como ela mesma dizia, o salário mal dava para comprar suas calcinhas. E não era para menos: para enfeitar com rendinhas aquela bichona que ela se gabava que, se fosse vender no quilo, dava para comprar uma cobertura com vista para o mar.
Então, por mais safadeza do que necessidade, Neidinha começou a alugar o seu priquitão por temporada. E olha, era o único empreendimento que, nas festas de final de ano, ficava disponível e justamente nesse período que ela aproveitava para fazer uma revisão completa e, algumas vezes, dar um up. Colocou piercing, aparou a trunfa, tingiu de verde-abacate, a “Marvada” ficou parecendo um dragão de Kyoto com cólera e ainda tatuou acima do bumbum um lindo “Volte sempre”.
A nova empresária do prazer esbanjava glamour nas redes sociais. Até foto beijando a mão do Santo Padre ela postou, sem falar nas inúmeras vezes que fez propaganda de absorvente, ganhando o prêmio na campanha: “Se cobre o de Neide, cobre o seu.”
Contudo, os anos foram passando e hoje ela está na minha frente me dando essa entrevista. Posso te garantir que aquele Dragão hoje parece um calango, o “Volte sempre” já sumiu, mas seu espírito de empreendedora permanece. Agora ela presta assessoria a sites pornô, dá aulas particulares para principiantes, é coach, além de manipular a mente desse maluco que te escreve.
P.S.
Se você fizer um comentário, te mando o endereço da Neidinha.
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