Aqui pra nós...

                                            

Ganhei um fone de ouvido da JBL. Chupa essa manga e aproveita, descasca esse abacaxi. Agora a campainha pode tocar até entrar em curto e as Testemunhas de Jeová acampar aqui no meu portão.

Quem não gostou muito foi minha filha, que chegou da faculdade e teve que mandar uma mensagem para o meu celular:

— Estou aqui no portão há uns 10 minutos. Por favor, tire os fones e venha abrir.

Claro que não foi com essa educação toda. Depois do “venha abrir” foi acrescentado “a porra desse portão”. Mas foi muito bom, pois testei a eficiência dos fones.

Já escrevi que aqui onde eu moro parece rota obrigatória de passeata de carro de publicidade. Carro do gás, da água, dos churros, da pamonha e das promoções dos supermercados fazem questão de desfilar na minha rua. E agora, na época de campanha eleitoral, acrescente-se ao portfólio os carros dos políticos. Nossa, quantas pessoas honestas e do bem.

Tenho vontade de escolher um e fazer promessas, pois os santos que eu conheço estão em recesso.

Naturalmente que dos fones não sai qualquer merdinha, não. Bom gosto em música eu tenho suficiente para não ser atraído pelo triângulo.

Contudo, observei que passo mais tempo procurando o que escutar do que escrevendo e já estou achando que, em breve, vai ser igual ao controle da Smart TV, trocando de canal a cada cinco minutos.

Entretanto, esse isolamento sonoro me ajuda a criar, além de dar uma coceirinha no ouvido direito, o que me proporciona outro prazer: cutucar as “oiças” com um Cotonete. É isso mesmo. Os prazeres da vida do “melhor idade” podem estar em uma simples haste flexível, desde que acompanhados de uma divertida crônica.

Tudo leva a crer que, mais cedo ou mais tarde, vou usar mesmo os protetores auriculares ou fugir para as montanhas. Se lá pegar internet e se conseguir fazer fogo nas pedras.

 

 

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