Achei o Vilão
Se tem uma coisa que eu admiro é um escritor de contos de terror.
Pelo simples motivo de não ter coragem de colocar no “papel” sem antes ter certeza de que não vou passar a noite tendo pesadelos.
Eu sou um dos seres terrenos mais medrosos que existem. Basta uma sombra na parede e eu perco o sono.
Além disso, eu não consigo levar nada a sério. A quinta série habita em mim, sai professor, entra professor e ela ali, persistente.
Como eu poderia criar um assassino em série que causasse espanto a você, meu amado leitor, se, na minha criação, ele seria fanhoso e, quando falasse, além do bafinho de latrina, ainda cuspia para todos os lados?
Baixinho, cabeçudo e míope fechava o perfil daquele ser que iria causar espanto e aniquilar vários personagens.
Podemos até pensar no boneco Chucky, que tocava literalmente o terror.
E o amigo acha que eu não pensei nisso.
Cheguei a considerar o Saci Pererê como vilão, mas, em um retrato falado feito por uma criança de seis anos, já entregava o assassino. Considerei a hipótese de colocar uma saia no Pererê e substituir a boina por um vistoso megahair e o cachimbo por um cigarro em uma longa piteira.
Contudo, por mais que eu mudasse o visual dele, sempre seria reconhecido. Lembra daquele ator que fazia o Pererê no Sítio do Picapau Amarelo? Até hoje ele é reconhecido por onde passa. Imagina uma criatura dessas com uma ficha corrida repleta de assassinatos. Até a nossa polícia prenderia o meliante.
Não é fácil. Um vilão tem suas características próprias. Tem um olhar frio e um sorriso nada maroto. Um vilão que se preza, até você o convidaria para almoçar na sua casa e chegaria a votar nele. Eu e você nunca vimos um sujeito desses andando por aí com um letreiro na testa: “Sou ladrão, roubo você, sua mãe, seu filho e o pratinho do seu Shih-tzu também.” Não, claro que não.
Opa... parece que peguei o fio da meada. Vamos lá.
Era uma noite fria e tempestuosa. A deserta Brasília dormia anestesiada na mais profunda...
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