Vou de preto

 Estou aqui no Natal Shopping e observei uma coisa que me chamou a atenção.

Por que os gordinhos acham que colocaram uma roupa preta e, pronto, estão magros?

E é bom vocês que marcam encontros às cegas se atentarem para o seguinte:

— Eu te espero em frente ao Burger King. Vou de preto. Toda de preto. Ave, adoro um pretinho.

É gorda. Pode ter certeza. E ela deu logo duas dicas. Se ligou?

Agora você, meu amigo gordo, que vai colocar aquela camiseta preta do tamanho da lona de um circo e ainda acha pouco, fica de cinco em cinco minutos tentando alargar a coitada, já bufenta de tanto uso. Pode ter certeza de que, de longe, ela já te viu e deu meia-volta.

Pode chorar. Alguém precisa te falar a verdade. Você foi precipitado e posso até dizer... ingênuo.

Não é porque o preto cai bem no Batman que o amigo também vai ficar. Longe disso. Você vai ser apenas um ótimo ponto de referência. E dos grandes.

O amigo tem que cozinhar o galo. Calma, não é para você comer. É para dar tempo de mostrar que, dentro desse aglomerado de colesterol, triglicerídeos e banha — muita banha — existe algo encantador que só habita em um ser grande, redondamente grande: humor.

Se ela der duas risadas... você, meu fofinho, pode ter certeza de que fisgou ela com sua beleza interior, linda, esguia e musculosa. É assim que ela vai te ver. Até hoje minha mulher compra minhas roupas sempre um número menor.

Quanto a você, gordinha de preto, no lugar de entrar e pedir um sandubão, vasculhe seu interior, porque tem espaço para coisas bem melhores. Aí, quem sabe, você não encontra sua metade... como se, por si só, já não ocupasse espaço suficiente.

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