Vou à China

 

Quando iria passar pela minha cabeça que iria tão longe? Confesso que de Marco Polo não tenho nada, mas minha mulher foi a melhor vendedora Geely do Brasil e ganhou essa viagem com direito a acompanhante. Graças a Deus não temos pets, pois se tivéssemos, seriam eles que iriam usufruir desse passeio.

A viagem vai ocorrer no final de julho, o que nos dá tempo suficiente para nos endividarmos comprando tudo que precisamos. Um verdadeiro enxoval que começava nas malas e continua enquanto durar sua imaginação.

Minha preocupação agora é saber o que eu faço em um voo de várias horas sem ter que comer na aeronave para não usar o banheiro. Não vou sair daqui de Natal pra cagar em pleno Oceano Atlântico. E se na hora que eu estiver lá houver uma turbulência?

E uma descompressão, o que eu faço? Continuo meu cocô, agora de máscara, ou interrompo o processo?

Tá vendo, meu querido amigo, como aquela conversa de segurança de voo é pura balela. Bastou um simples charutinho para pôr por terra todas as normas.

São informações como essas que as aeromoças deviam dar, e não ficar simplesmente apontando saídas de emergência e uso das máscaras.

Por outro lado, vai ser bom passar quase um dia todo sentado olhando para o corredor. Entretanto, estou pensando em começar um curso de crochê e, nesse tempo, fazer um blusão pra mim. Já minha mulher vai aproveitar para fechar alguns negócios com os passageiros e os tripulantes.

Bem, uma coisa eu te garanto, lá será muito tranquilo. Com intérprete que pode me indicar um bom banheiro, pra mim tá de boa.

E a alimentação? Isso é mais tranquilo. Quem come picado e buchada, um gafanhotozinho até que vai bem.

Vou te escrever de lá, só pra fazer pouco de você, que no máximo chega a Águas de Lindóia.

Luciano Veiga Fernandes

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