Traz a corda e chuta o banquinho

 

Agora, no mês de agosto, para o nosso deleite, começa — com licença das más palavras — o horário eleitoral gratuito.

Eu e você, querido e importantíssimo eleitor, estávamos ansiosos aguardando esse tão esperado momento. Não é verdade? Hein? Me responda.

Pois ele chegou e, por incrível que pareça, ainda continua gratuito.

Eu queria que fosse pago. Isso mesmo. PA-GO. Sou da corrente dos que acreditam que coisa barata demais sai caro. Imagine grátis.

E esse "programa" peca na direção, no cenário, na sonoplastia e na iluminação, mas esbanja nos efeitos especiais. Deixa uma densa névoa cinzenta tomar conta do ambiente, como se uma entidade das trevas estivesse ali, vestindo um figurino angelical.

Dá a impressão de que os personagens não entregam o melhor de si. Na verdade, acho que eles nem têm algo melhor para entregar. E fica aquela sensação de que já vimos esse filme antes, mas torcendo para que, desta vez, tenham mudado o final.

Será, meu querido, que estou vivendo um déjà-vu?

Só sei que, após apreciar as apresentações dos futuros benfeitores do povo, causa em mim o efeito Patati Patatá todas as vezes que me vejo no espelho.

Luciano Veiga Fernandes

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