Roubando Ideias

 

Para clarear as ideias, resolvi escrever essa crônica na lanchonete de um supermercado. Acho que a variedade de produtos despertará minha criatividade.

Verdade, meu amigo, com a idade você acorda, mas o cérebro continua dormindo. E o meu então… Agora mesmo só pensa em comer uma coxinha com Coca, e eu querendo que ele abra mão desse prazer para escrever para você. Mesmo sabendo que, se a escrita fosse em papel, você seria o primeiro a jogá-lo no lixo ou coisa pior.

Estou vendo a hora alguém vir me cobrar a cadeira, pois não consumi nada. Graças a Deus por não ter guarda-sol…

Mesmo assim, é bom observar o movimento da loja. Está cheia de demonstradores, e tem um arrumando o papel higiênico como se fosse uma relíquia. Confesso ao amigo que me deu até vontade de fazer cocô só para presentear meu furico com uma passada desse papel, que deve ter sido criado pela Gucci.

Já no setor das carnes, alguns intrépidos clientes ficam admirando os cortes, iguais aos visitantes do Louvre aos pés da Monalisa, querendo entender como algo tão pequeno é tão valioso.

Como no supermercado tem uma academia, eu sou o único barrigudo no espaço que anda como um ser normal, sem querer demonstrar meus músculos — mesmo porque eu não os tenho. O movimento é tão pequeno que eu penso que estou em uma biblioteca. Para a moçada que não sabe o que é biblioteca, eu explico: é um Google físico.

Então voltamos aos corredores, agora no das fraldas. Deserto. Já no dos pets, alguns clientes com fones de ouvido examinam as calorias das guloseimas.

A essa altura já me rendi e dou minha primeira mordida na coxinha, que veio com aquele gosto de fritura com óleo velho. E olha, de fritura eu entendo. Eu e todos os gordos do universo.

Acabei de ver uma moça passar com um pacote de fraldas. Alguém caiu naquele papinho de “só a cabecinha”. Mas com certeza não foi ela, pois estava muito faceira para quem vai colocar mais uma pessoa no Nordeste do Brasil.

Bem, meu amigo, vou terminar por aqui antes que venham me cobrar couvert artístico pelos anúncios das promoções.

Luciano Veiga Fernandes

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

No final da balada tem conveniência... tem sim, senhor.

O Google está de Migué

Uma Mentirinha Besta