Participe da Experiência. Essa é grátis!
Não sei quem espalhou essa mania de querer sofisticar tudo simplesmente acrescentando na frase a palavra experiência. Calma, meu amigo, vou te explicar tudo bem direitinho.
Hoje, qualquer estabelecimento comercial, para ser chique, usa esse artifício. E os restaurantes, que deixaram de vender comida e passaram a “lhe proporcionar” uma experiência gastronômica, se acham um verdadeiro templo da gastronomia francesa.
Pena que esquecem que eu quero apenas jantar, não virar cobaia e, ainda por cima, ser assaltado.
Contudo, é pela quantidade servida que a experiência microscópica se destaca. E, para disfarçar, ainda vem com uma gélida névoa que faz você pensar que está com catarata no Alasca.
Não vou achar agradável participar de um “estudo degustativo” onde devo provar uma formiga por livre e espontânea vontade. Quero um bom filé, não sou tamanduá.
Mas as experiências vão se espalhando que há de chegar o dia em que um pum será uma experiência olfativa.
— Chegue, amor, para debaixo dos lençóis e aproveite essa beleza de bufa.
Será que haverá um limite nesse processo? Até o comércio de carros usa essa palavrinha para veículos de alto luxo.
— Doutor Euclides, isso não é simplesmente um carro. É uma experiência automotora.
Do jeito que está caminhando, até o “Cabaré Pedacinho do Céu” vai nos proporcionar algo transcendental. Só espero que sem formigas.
Imagine, meu leitor do coração, um pequeno restaurante de comida nordestina oferecendo uma experiência à base de buchada, sarapatel e batida de cajá.
Não dura uma semana.
Aqui, a quantidade é o principal atrativo, e não tem ninguém disposto a ser assaltado por livre e espontânea vontade.
Eu e você temos certeza de que, depois de frequentar um desses “laboratórios degustativos”, o faminto cliente para em um “podrão” e esquece completamente sua decepcionante experiência.
Agora, caso o amigo leitor queira me proporcionar uma alegre experiência, basta me seguir e deixar um comentário.
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