Navegar é preciso. Votar, nem tanto.
Hoje, se alguém pedir um bolo de bacia a algum candidato, leva logo um sermão:
— O senhor não sabe que é contra a lei? Eu estou aqui para acabar com essa roubalheira, com essa pouca vergonha. Comigo é tudo transparente!
E o assessor ao lado, com um pastel na mão, fazendo força para não cair na gargalhada.
O eleitor sai crente de que o candidato é puro, honesto e que irá trabalhar pelo bem do povo. Coitado… Bem de quem?
Eu vou continuar dentro dos meus princípios: depois que entrei na melhor idade, a única fila que enfrento é a de receber dinheiro. E pronto. No dia de votar, vou lá, dou uma olhadinha na fila, e é ela quem vai decidir se quer ou não o meu voto.
O amigo pode até falar: “Luciano, você pode ficar na fila dos idosos!”. E eu te respondo, ô inexperiente eleitor: aquilo não anda! Vem uma turma de idosos sem enxergar nem a cabine eleitoral, quanto mais a urna, e a demora começa para assinar o nome.
E pior é a conversa do acompanhante:
— Não era nem para ele ter vindo, mas acordou já querendo vestir o terno para vir votar… nem a papinha ele aceitou.
E a mesária, em vez de ficar calada, ainda puxa conversa:
— Que coisa linda… Muito bem, vovô!
E o velho, todo trajado, cochilando na cadeira de rodas, e a bisneta querendo que ele acorde para responder. Enquanto isso, na fila dos outros idosos, a torcida para ele embarcar igual ao velho do banco é generalizada.
Então, o meu querido leitor acha que eu vou ficar em uma fila sem fim para cumprir o meu direito e depois carregar nas costas gente sem futuro?
Tô fora.
Sou velho, não idiota, vocês que se lasquem.
Comentários