Não vou à China
Desisti depois de saber que preciso de vacina contra a febre amarela e, por já estar na porra da “melhor” idade, tenho que levar um atestado médico para ser vacinado. Tudo bem, se não fosse o medo que eu tenho dos homens de branco. Um simples atestado vai me fazer passar por todo tipo de exame até eu sair de lá com uma sacolinha na mão.
O custo-benefício não compensa. Mesmo a viagem me saindo a custo zero, não compensa vender um rim para ver uma muralha.
Mas tudo bem. Minha filha Larissa vai acompanhando minha mulher. Elas só precisam da vacina e de um cartão de crédito sem limite para comprar umas coisinhas.
Minha filha, ao ser comunicada do passeio, fez logo um alerta:
— Certo, mas estou precisando de roupas.
Ainda consegui ver uma lágrima no rosto da minha mulher quando ouviu essa indireta de suborno.
Esse acontecimento só serve para confirmar que “alegria de pobre dura pouco”. Contudo, estou bem mais tranquilo sabendo que vou ter dez dias espalhando toalha molhada e roupa suja pela casa, além de já estar ajustando meu cardápio para uma alimentação bem safada, à base de empadas e pastéis.
Já você, que não teve a oportunidade nem de sonhar com uma boca-livre dessas, quem sabe um dia nos veremos em Águas de Lindóia.
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