Não Sei, Não. Mas Eu Acho...


 
Brasileiro é um povo que gosta de dar opinião em tudo. E ainda tem uns que começam a frase já afirmando:

— Não sei, não. Mas eu acho...

 Então me diga, meu amigo, um parecer desses tem algum valor?

Contudo, tem aqueles que gostam de ser enganados. Foi o caso do Davi, sobrinho da minha mulher, que fez uma farofa e guardou para saber o meu veredito. Ele não considerou dois fatores:

1º – Eu só faço o básico do básico.
2º – Sou gordo. Ele podia ter ralado vidro, misturado pólvora, passado na manteiga e tacado farinha que eu comeria.

Mas, como bom brasileiro, dei o meu parecer.

— Não sei, não. Mas eu acho que pode melhorar.

E dei mais um gole na Heineken. Parecia o Fogaça.

Eu já estou vacinado. Quando alguém começa uma frase com “Não sei, não. Mas eu acho...”, eu já me preparo para ouvir mentira.

Você nunca viu uma tese de doutorado ser defendida com tal sentença. Seria muito fácil aceitar o “Não sei, não. Mas eu acho...”: você estaria livre de citar alguma fonte e ainda ficava em cima do muro.

Um diagnóstico médico é um exemplo clássico. Você jamais pegará um atestado afirmando que o Antônio terá quatro dias de licença porque o médico: “Não sei, não. Mas eu acho que ele está doente e precisa de repouso.”

O amigo desconfia qual o motivo que criaram o teste de DNA para verificar paternidade?

A simples frase — “Não sei, não. Mas eu acho que não é meu.” — foi a causadora da adoção desse tipo de exame.

Já o júri popular não vai considerar a defesa de um réu que usa o “Não sei, não. Mas eu acho que ele é inocente.”

Será que Noé faria a arca se ouvisse simplesmente:

— Noé... Não sei, não. Mas eu acho que vai ter um dilúvio...

E se Júlio César tivesse falado:

— Não sei, não. Mas eu acho que fui, vi e venci.

Cleópatra, entre Júlio César e Marco Antônio, poderia muito bem ter dito:

— Não sei, não. Mas eu acho que o Antônio vai ser o primeiro.

Você acha que isso estaria nos livros de história?

Não sei, não. Mas eu acho que vou terminando por aqui.

Só para provar que isso não tem peso nenhum, vou continuar.

Você seguiria uma informação que começasse com a frase exposta aqui?

— Não sei, não. Mas eu acho que, se o senhor virar à direita...

Tente justificar a mancha de batom no pescoço começando com:

— Não sei, não. Mas eu acho que é o batom da mamãe...

— Não sei, não. Mas acho que agora é mesmo o final.

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