Na medida certa

 

A crônica de hoje quis brincar comigo. Escrevi e perdi, mas fiquei feliz. Enquanto estiver perdendo somente textos, está ótimo. Ao mesmo tempo, mesmo sem querer, achei mais ocupação para minhas atribuladas horas.

Sabe, meu amigo, tem coisas sutis que passam despercebidas, mas é impossível imaginar a obra concluída sem aquele detalhe. Veja: a introdução de Descobridor dos Sete Mares, de Michel e Gilson Mendonça, imortalizada na voz do imenso Tim Maia, não teria o mesmo impacto sem os metais. No primeiro acorde já dá vontade de dançar, mesmo com o Sebastião pedindo mais retorno.

As coisas belas da vida são simples (basta ver minha foto) para saber que só funcionam se estiverem no lugar e na quantidade certa. É como a pimenta no vatapá, o perfume do carro novo e o rebolado da morena. Se passar da conta, fica vulgar, e não importa se você mora em palácio.

E, principalmente, nessa época de eleições que se avizinha, muitos não terão a perfeita harmonia dos metais da Vitória Régia. Vão mesmo na gaita de fole, e nossos ouvidos que se lasquem. E já se passaram vários anos, dava pra descobrir bem mais do que sete mares. Como se não bastasse ouvir diariamente um arsenal de bobagens, agora elas vêm acompanhadas de jingles que, na verdade, são bem melhores do que as promessas vomitadas em discursos.

Então, caro candidato, quando subir ao palanque, lembre-se de que suas palavras não condizem com seus atos e que este vale por mil palavras.

Os metais do Tim Maia acompanharam a melodia na hora certa, mas o seu discurso... tenha santa paciência: é pura merda.


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