Minha pirâmide está aceitando novos investidores
Vou registrar logo essa antes que esqueça.
Vinha eu caminhando pelo estacionamento do supermercado e, à minha frente, dois senhores conversavam.
— Estou aplicando no fundo...
Acelerei a passada, querendo saber o nome da dona do playground. Então ele falou o nome do fundo onde investia.
Achei uma ótima escolha e, logo que minha mulher chegou, puxei o assunto:
— Amor, estou com vontade de aplicar no fundo.
E a resposta:
— Lá nele.
Encerrado o assunto. E meus planos de investidor também.
Então estou pensando em fazer uma pirâmide financeira. Claro que eu sei que é contra a lei, mas roubar velhinhos também é. Pelo menos eu acho que é.
Mas, para captar futuros investidores lesados, tenho que oferecer alguma coisa. Não sei se vale um par de sapatos novinhos... Logo que virem que o empreendedor sou eu, vão cair na risada.
— Meu Deus! O Luciano outra vez!
Aí é que eu não aguento: o Luís pode, por que eu não?
Mas vamos supor que a pirâmide cumpra seu objetivo: me enriquecer e empobrecer você. Entretanto, não vai ter como eu disfarçar o negócio. Se eu aparecer com um Celtinha, já vão desconfiar.
— Viu o Luciano? Sei não... Dia desses "tava" de sapato novo... Agora me aparece de Celta. Aí tem coisa.
Agora um cuidador de elefante pode. E eu não posso... nem um Fiat 147?
E o que me entristece é que meu pai é falecido e não pode nem bolar uma desculpa do tipo:
— Meu filho é o Biro-Biro da pirâmide.
Agora, meu amigo e futuro investidor, uma coisa me preocupa. Eu não tenho um amigo em quem possa jogar a culpa. A não ser que eu invente um tipo: um amigo do amigo de Tonha. Pode até colar. O deles colou.
Não vou nem chegar com essa conversa para minha mulher. Um simples investimento ela respondeu o que respondeu; imagina a construção de uma pirâmide.
Bem, querido futuro parceiro, estou esperando seu contato para enriquecer você.
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