Minha nova CEO
No início da manhã de qualquer começo de mês, lá está ele: o aposentado.
Sorriso no rosto. Cordial, amável. Distribui bom-dia até para quem nem conhece. Afinal, acabou de receber seu vultoso benefício.
No final do dia, porém, aquele pacato integrante da melhor idade se transforma em um aposentado raiz. Daqueles que reclamam de tudo. E de todos.
Um homem liso é uma presa fácil para todo tipo de agrura. É um ser orgânico descartável na lixeira errada. Viu, já sei até onde colocar o lixo, mas onde utilizar a equação do segundo grau até agora não sei. Quem sabe não aparece algum incentivo do governo para quem achar o X' e o X".
Mas, graças a Deus, eu sou um aposentado Nutella. Como entrei nessa há pouco tempo e não tinha a mania de falar mal do meu chefe — vontade eu tinha —, muito menos da empresa, ainda estou me adaptando ao vocabulário dos meus colegas parceiros do INSS.
Entretanto, se o amigo querido era daqueles que reclamavam de acúmulo de funções, prepare-se; sua mulher, digo, sua nova CEO vai fazer você entender o significado da palavra po-li-va-len-te. Ou, em um termo mais nordestino: o faz-tudo. O Severino.
Quer mais detalhes? Então toma: tudo zero oitocentos. E você reclamando do seu salário. Hein, né não, colega?
Eu mesmo, de ontem para hoje, já varri a área livre e juntei três sacos de 50 litros de folhas. Sem falar na diária limpeza do terraço, que os pássaros acham que é banheiro público.
Reclamar?
Sou doido, não.
Contudo, é muito bom chegar o dia e ter seu dinheirinho depositadinho na sua continha para comprar suas coisinhas, seus remedinhos e comer uma empadinha de franguinho.
E prontinho...
O dinheirinho acabou.
Se você riu, é porque ainda não é aposentado.
Mas, com rima ou sem rima, a sua horinha vai chegar.
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