Foi homicídio doloso.
Foi doloso, sim.
É um ato recorrente que já fez várias vítimas. Um verdadeiro “serial killer” impiedoso que ronda por aí, vestindo-se das melhores músicas do mundo em busca de um sucesso efêmero. Veja, meu amigo leitor, a que ponto chegaram:
Eles conseguiram ridicularizar Dancing Queen e muitas outras músicas.
Exatamente isso, querido amigo. Não há quem suporte ouvir sucessos destruídos ao som do forró e em interpretações de arrepiar até o gato.
É uma tortura sonora de fazer inveja à Gestapo.
Gente, eu ouço o ABBA original ou as interpretações da WDR Funkhausorchester — que recomendo muito. Então imagine o choque que tive ao me deparar com uma aberração sonora que chegou aos meus ouvidos e que meu cérebro relutou em aceitar.
O quê? Em forró?
Faça-me o favor, Luciano. Ponha essas pernas cansadas para andar imediatamente.
Ordenou meu cérebro logo após os primeiros acordes do piano darem lugar à sanfona.
E aquilo passava longe de um Luiz Gonzaga.
Mas a turma se diverte, convicta de que a música foi obra daquele que berra ao microfone, completamente fora de compasso, acompanhado por uma verdadeira sinfônica do inferno.
E o “cantor”, achando que está arrasando, já prepara a caneta para dar autógrafos pela linda música interpretada com perfeição.
E os nossos ouvidos?
Que se lasquem.
Se eu posso falar assim?
Posso.
Sou nordestino, mas não gosto de merda.
Nenhum tipo de merda.
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