Escreveu, não leu...


Meu amigo, hoje eu me lembrei de uma secretária que trabalhava na casa da minha mãe. Chamava-se Luzinete, mas era conhecida como Nete. Era analfabeta.

Minha mãe a matriculou em uma turma de alfabetização noturna, no Colégio Imaculada Conceição.

Até aí, tudo bem. Às sete horas, lá ia Nete, toda uniformizada, em busca da chave que poderia abrir muitas portas em seu caminho.

Certo dia, toda orgulhosa, ela mostrou um ditado em que aparecia a palavra tatu.

Minha mãe leu e viu, escrito com a caligrafia de uma iniciante:

Tatatu.

— Nete, o correto é tatu. TA... TU.

Tentou explicar dona Lúcia.

Mas a secretária insistia:

— A professora ensinou assim. Eu anotei do jeito que ela escreveu: TA, TA, TU.

Minha mãe insistiu? Claro que não.

E Nete deve estar escrevendo Tatatu até hoje.

Luciano Veiga Fernandes

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