É Apenas o Começo

 

Hoje vou escrever ao ar livre. Sentir no rosto aquela brisa quente do diesel e do etanol, com um pinguinho de gasolina envolvendo minhas narinas e destruindo meus pulmões.

Seria assim, se eu fosse paulista. Mas isso não impediu que o Tarcísio optasse pela terra da garoa, porque seria um obstáculo para alguém Made in Caatinga. Também, entre o Rio e Sampa, tanto faz: dá na cabeça como em cima do chapéu.

Estou aqui, embaixo do desfolhado ipê que, até a presente data, não nos disse de que cor são suas flores. 

 


Mas, só para humilhá-lo, tacamos orquídeas no seu tronco para deixar claro que podemos substituí-lo por qualquer coisa, de um gnomo a um cacto que teima em sobreviver. Tudo é possível na terra do Cascudinho (como meu avô chamava o historiador Luís da Câmara Cascudo).


 

 

 



Para o amigo sentir que não precisa de muito floreio, muito tititi, que, no fim, atrapalha o natural. É como minha escrita: rasteira, descompromissada, mas verdadeiramente do Luciano Veiga.

A natureza nos tirou as folhas, entretanto nos deu as orquídeas; nos tirou o verde do ipê, mas compensou com o do cacto. 

E você, intrépido desbravador de letras, vai me perguntar:

— Sim. E daí?

É que ontem recebi um e-mail do Amazon Kindle, em inglês, claro, e fui ver e está lá: disponível, seis centavos de dólar.

Aí, meu querido, eu olhei apenas para as orquídeas e pensei: é apenas o começo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

No final da balada tem conveniência... tem sim, senhor.

O Google está de Migué

Uma Mentirinha Besta