Dr. Arnaldo - Proctologista
Se existe uma família que resolveu cuidar das partes baixas da humanidade, é a dos irmãos Alberto e Arnaldo.
O Dr. Arnaldo é o irmão mais novo do Dr. Alberto, que se especializou em Ginecologia, muito contra a vontade da mãe e sob aplausos entusiasmados do pai.
Arnaldo resolveu usar a criatividade e escolheu a Proctologia. Segundo ele, a família atenderia pela frente e por trás. A justificativa até fazia sentido, mas deixou sua mãe completamente consternada e seu pai, como era de se esperar, eufórico.
— Maravilha, Arnaldo! A família vai se especializar nas partes baixas. Ótima escolha.
Foi assim que o pai do futuro proctologista recebeu a notícia.
Já a genitora...
— Como é que você faz uma coisa dessas? Achou pouco o que o Alberto fez e agora nos presenteia com mais essa humilhação? As meninas do grupo de oração já estão comentando que meus filhos são todos pervertidos.
— Meu filho, acorda pra vida. Bunda não foi feita para entrar nada além de supositório. Você já olhou para a bitola do seu dedo? Hein, Arnaldo? Acha que cabe no butico de alguém? Responda, Arnaldo.
— Mamãe, eu não estou preocupado se cabe ou não cabe. O furico não é meu...
— Então é assim? Nem começou e já despreza a ética médica.
Eu só posso ter feito polidance na cruz para ter tantos desgostos na vida. Como se não bastasse um filho passar os dias vendo priquito, agora o outro vai examinar cu.
— Calma, Das Graças. Deixe os meninos aproveitarem a vida.
Interveio o pai dos doutores.
— Gostou, né, Afonso? Agora você tem assunto para as conversas no bar com seus parceiros. Mas eu, não. Fico mentindo para as amigas da Irmandade Filhas de Maria, dizendo que meus filhos trabalham de Uber e Mercado Livre. Não vou carregar o atestado de genitora de dois tarados que só vieram com o DNA do pai.
Arnaldo tentou apaziguar a situação.
— Calma, mamãe. Olhe sua pressão. Não é o que parece. Sim, vou futucar o foquito de muita gente, mas é com luvas.
— Qual é o número da luva?
— Não acredito no que estou ouvindo, Afonso! Seu filho vai passar o dia com a cara atolada nos fundos de sei lá quem, e você preocupado com o número da luva?
— Claro. Segurança do trabalho é importantíssima. Outra coisa que você deve usar é máscara. Vá lá que o paciente solte um pum e você, com o nariz a centímetros do bufante, pode pegar uma intoxicação nas vias respiratórias.
— Eu lavo as mãos... Façam o que quiserem. Tantos conselhos, mas vocês foram na conversinha do Afonso e veja no que deu. Dois tarados. Só espero que não cheguem do trabalho de pau duro.
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