Doze dias no paraíso
Em breve, minha mulher e minha filha vão passar doze dias na China. E eu... no paraíso.
Tenho feito o possível para ajudá-las. Inclusive, não as acompanhei nas compras, tudo para que ficassem à vontade para colocar e tirar roupas até chegarem a um consenso. Enquanto isso, eu... no sofá, em uma espécie de pré-retiro.
Mas não tem como não se envolver. Cada sacola que sai do carro, eu compreendo a alegria das vendedoras de uma loja chamando as duas para receber um brinde.
Meu amigo, que vendedora de shopping fica na porta acenando para você receber um "mimo" à toa? Você acha que aquilo acontece por acaso?
— Rebeca, vamos chamar aquelas duas que estão passando atrás do quiosque de cookies. Achei elas tão simpáticas...
Só agora entendi o motivo das malas. Não são malinhas bestas, não. São verdadeiros contêineres. Duas grandes, duas pequenas... e mochilas. Nem Cleópatra levou tanta bagagem quando foi a Roma se encontrar com Júlio César. Acho que elas pensam que vão embarcar num cargueiro.
Mas, quando você pensa que as compras enfim cessaram, ela me vem com uma dessas:
— Acho que vou comprar aquela blusa que vimos na vitrine.
Nossa! Eu não lembro nem o que comi no café da manhã, quanto mais da blusa. Mas incentivo a compra. O que são alguns centímetros a mais de tecido para quem já comprou metros? Me diga, meu amigo, se eu não sei fazer uma mulher feliz. E mais uma pecinha é agregada às tantas outras que voltarão ainda de etiqueta.
E quanto aos meus planos, são simples: espalhar roupas pela casa, empilhar louça suja na pia, soltar pum e arroto à vontade, fazer xixi com o assento abaixado, comer bagana na rua e, claro, enxugar as lágrimas de saudade na almofada do sofá.
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