Com que roupa eu vou?


E aí, como tá o amigo?

Hoje acordei com uma dúvida tremenda. Posso te garantir que parece que deu um nó na minha cabeça, pois é um assunto delicado que, com absoluta certeza, você nunca pensou.

Eu não sei se, na ocasião da nossa inevitável passagem para outra vida, devemos ir de cueca.

Exatamente isso tomou conta dos meus intrépidos neurônios.

Essa questão se fundamentou pela maneira que nós chegamos aqui, completamente nus. Vejo essa situação como se, ao devolvermos um produto, tivéssemos que embalá-lo para presente.

O que me garante que lá é uma Tambaba? Hein, meu querido.

Agora chego lá sem cueca e fico perambulando de túnica branca com aquele vento frio soprando nos meus ovos vinte e quatro horas por dia. Eu moro no quinto andar e tenho que fechar a varanda quando venta. Imagine nas nuvens.

Agora vai se eu vou de cuequinha e lá está todo mundo sem...

Vou sofrer bullying pela eternidade.

Excluído das apresentações dos querubins arpistas e forçado a ouvir Oswaldo Montenegro, que, se não partiu, tá perto.

— Por que eu não tiro a peça em questão?

Meu prezado, você acha que no céu tem onde descartar peças íntimas?

Outra coisa importantíssima:

Quero ir de gravata-borboleta.

Prefiro ir como garçom do que político.

Vou ficar lindo: túnica branca, gravata-borboleta, saco balançando e um vistoso par de asas de fazer inveja a qualquer albatroz.

Só espero que São Pedro não venha com frescura dizendo que gravata-borboleta não combina com túnica.

Porque, sinceramente...

De cueca ou sem cueca... entrando no paraíso, pra mim já tá bom.

Luciano Veiga Fernandes

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