A culpa foi do Lécio

 Você, meu querido leitor, pode até duvidar, mas eu escutei, da própria boca da Ceiça, que foi o descomunal atendente da farmácia o causador do que agora vou dividir com o amigo, afinal, você sabe que eu sou um legítimo boca de sacola.

A Ceiça tinha chegado recentemente na Boate Et de Vagina e era a sensação da casa. Além de proporcionar um prazer igual ao de um carro novo, ela ainda vendia pão de queijo que, segundo comentava-se, ela manipulava a massa com as mesmas mãos que manipulava outra coisa e sem lavá-las. Segundo ela afirmava, o segredo da cremosidade da iguaria estava na manipulação in natura.

Tudo corria pacatamente bem, até o dia em que o Lécio resolveu fazer uma visitinha íntima à nova aquisição da Boate e empreendedora.

O jovem se gabava por ter vindo ao mundo com um pênis que estava até pleiteando sua entrada no Guinness Book, devido às suas dimensões de bitola e comprimento.

A inocente da Ceiça tinha acabado de tirar uma fornada de pão de queijo quando foi solicitado seu atendimento a um novo cliente: o Lécio.

O rapaz, muito gentil, apagou a luz do quarto para não traumatizar a moça, que já estava na posição de guerra.

Pronto! Na primeira estocada do Lécio, ouviu-se um grito de dor...

— Vixe, estou cega!

Isso mesmo, meu amigo. O pênis tinha perfurado o globo ocular da jovem Ceiça.

Depois de muitas compressas com mastruz, a dor passou, mas ela perdeu a visão no olho esquerdo. A partir desse dia, passou a usar um tapa-olho e, como era de se esperar, a queimar pão de queijo.

 Depois desse dia fatídico, a procura pelos serviços da Ceiça caiu vertiginosamente, até o ponto da proprietária da Et de Vagina chamá-la para uma conversa:

— Minha filha, acho que você deveria procurar o INSS e se aposentar por invalidez.

Falou, consternada, a proprietária.

— E o que eu vou dizer na perícia se for perguntado como foi o ocorrido? Hein? Vou dizer que foi rola?

— Não, minha filha. Diga que foi um... sei lá, um potó. Pronto. Um POTÓ.

— E eles vão acreditar que um bichinho tão pequeno causou tamanho estrago?

— Eu não sei, mas que foi rola eles não vão acreditar.

— E se a gente levar o Lécio para provar?

— Sei não. O que não pode é você continuar aqui com um tampão no olho igual a um pirata. Tá servindo de chacota e denegrindo o bom nome da Boate. O rapaz do cartório perguntou se você também tinha um papagaio.

Ceiça, tentando uma saída honrosa, ainda sugere:

— Se ele não quiser ir, podia tirar um retrato da “bicha”. Pode ser até mole, que o médico já tira suas conclusões.

— Filha, você acha que aquilo cabe em uma foto? Para o doutor ter noção, tem que ser em um outdoor Bandeirante.

— Sei não. Eu devia ter focado no pão de queijo. Fui crescer o olho, daí o resultado. Agora só se eu investir em bem-casado. Faço uma banda de cada vez.

Mesmo sem ter certeza do seu processo de aposentadoria, a Ceiça deu entrada nos papéis e sua perícia está marcada para outubro de 2047.

Então, por uma questão humanitária, comprem os bem-casados da Ceiça e aproveitem para deixar um comentário aqui no Espaço do Luciano Veiga.

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