A bola do jogo
Assistindo à final da Copa em um desses canais, ouvi uma promoção que me fez pensar: o telespectador ganharia a "bola do jogo" do Brasil.
Minha preocupação principal foi querer saber qual bola: a de gude — conhecida aqui no Nordeste como biloca — ou a de meia. Afinal, a nossa "seleção" entrou e saiu da competição sem fazer o devido uso do principal instrumento do jogo.
Mas, como torcedor nada fanático, logo depois de ouvir a promoção fiquei profundamente preocupado: e se eu ganhasse essa bendita bola?
A primeira coisa que fiz foi pesquisar na internet o valor do prêmio. Hoje vale pouco e, para mim, porra nenhuma. Talvez tenha algum valor no futuro. Bom, meu amigo querido, só tem um pequeno detalhe: sou aposentado, e isso basta para você entender o que penso do futuro.
Outra coisa: minha mulher não ia ficar nada feliz com esse elefante branco. Um local para colocar um prêmio desses simplesmente não existe na minha casa. Eu não sou doido de tirar os troféus de vendedora que ela ganhou para colocar a bola no lugar.
O destino desse fardo seria o meu guarda-roupa. Entretanto, para acomodar a esfera, eu teria que secá-la e deixá-la bem murcha — igual aos meus ovos.
Seria um troféu desconstruído que, na primeira faxina, ganharia o seu devido lugar: o lixo.
Comentários